Mal amanhecera, a garotinha já caminhava na ponta dos pés em direção à cozinha, sentindo todo o aroma de café sendo preparado. Queria fazer o mínimo de barulho possível, não queria de forma alguma estragar com a surpresa que preparava há dias. Lá chegando, encontrou a mãe cozinhando alguns ovos, preparando torradas e outras coisas gostosas de café-da-manhã.
-Mãe, onde está o presente? Perguntou ela sussurrando.
A mãe olhou para a garotinha, vestia pijama com coraçõezinhos estampado, pantufas do frajola além de exibir os cabelos bem desarrumados, típico de uma noite de sono. Ela deu um beijo na filha e apanhou uma caixa embrulhada como presente, um laço ornamentava o objeto que cabia num abraço da garota.
-Pronto, pode dar o presente do seu pai, disse a mãe.
A garota saiu correndo, mas interrompeu subitamente, substituindo a correria para um “pé-ante-pé”, contendo toda a ansiedade de dar o presente para o padrinho, a fim de fazer a surpresa, surpresa esta que consistia em acordá-lo com inúmeros abraços, beijos carinhosos e um presente escolhido especialmente por ela.
A porta do quarto onde o pai dormia estava entreaberta, não precisou de muito esforço para abri-la sem fazer barulho. Na cama, o aniversariante dormia de lado, coberta até o pescoço. A menina correu até a cama, subiu nela e pulou em cima do pai, dando beijos, abraços e desejando-lhe feliz aniversário.
O pai não se mexia.
A menina sacudia-lhe pelo braço, “acorda pai, acorda papai”, dizia ela.
O pai não se mexia.
A garota virou o corpo do pai para si, os olhos fechados, ela mexia no rosto, sacudia-lhe pelo braço e nenhuma reação era esboçada.
“Papai?”