sábado, 9 de agosto de 2008

As luzes foram acessas às 23hrs e 30 minutos.

Não havia muito o que olhar, o apartamento encontrava-se vazio há dois meses, entretanto, deste detalhe Ella não sabia. Seus olhares tocaram-se no momento em que ele, acidentalmente, abriu a porta, estava bêbado e jurava ter escutado passos de alguma entidade alienígena. Ella, meio sem entender, quis apenas continuar a sua jornada para o sétimo andar, entregar a pizza e curtir a sua maratona, divertindo-se ao observar a randomicidade das pessoas nas primeiras horas do ano-novo, “ei, pizza”, disse ele meio cambaleante, um chapéu engraçado, daqueles de aniversário, cônico com elástico, “não quer dividir essa pizza conosco?” perguntou ele.

“Você não deveria ver as coisas por esse ângulo”, disse ele enquanto Ella arrumava a pequena sacola de viagens. “Não tem nada a ver conosco, eu ainda continuarei gostando de você, você continuará gostando de mim e a verdade é que não aguento mais viver nesta cidade, com esta vida, preciso de coisas novas, seguir em frente…” O pagamento deu para cobrir a primeira parte das despesas, conseguiu descobrir que estava vivendo em um pequeno apartamento alugado, numa área não muito movimentada da cidade, o tipo de lugar onde as pessoas discretas querem continuar discretas, sem perguntas, sem chamar a atenção.

Nos seus momentos de delírio, chamava-lhe de “amor”, nos de lucidez, “meu grande e único amor”. Não pode deixar de pensar que tudo aquilo lhe parecia belo, singelo, com um carinho tão especial que ficava difícil não exibir um leve sorriso de felicidade.

Foram os dois meses mais felizes da sua vida.