Como já chegamos a tal conclusão há tempos – existo, isto é um fato – proponho-me a abordar determinados temas, estes ligados a fatos um tanto quanto abstratos, que certamente irão lhe impressionar ou, ao menos, sensibilizar a sua atenção.
Outro dia, percorrendo as diversas ruas e avenidas, contemplando as maravilhas da cidade, seus prédios, pedestres, tráfego, vi uma cena no mínimo pitoresca: um homem arrastando um cão pela coleira.
Obviamente que não seria uma cena pitoresca se ela fosse composta por apenas tais elementos. O que a diferenciava do registro cotidiano era um detalhe bem interessante: o cão estava morto.
O homem vestia algo que parecia ser um conjunto de trapos; seria ele um sem-teto ou algum artista não compreendido? Caminhava despreocupadamente, mergulhado em seus pensamentos, puxando pela coleira o cão morto como uma criança que puxa algum carrinho de brinquedo pela corda.
Em meio a esta cena que, como já fiz questão de frisar, pitoresca, pessoas, engravatados ao celular, casais apaixonados de mãos dadas, crianças retornando da escola passavam por essa estranha figura que, ao que parecia, simplesmente estava calcada na composição do cotidiano daquela cidade.
E estes breves segundos sempre são remontados na minha mente quando lembro da minha cidade natal.