A noite inteira. A noite inteira tendo sonhos estranhos com ele. Na manhã seguinte acordei enjoada, tonta, sem fome e assim passei o dia inteiro. Tentava lembrar se havia comido algo diferente do habitual, mas tinha certeza que não… Não era físico o que eu sentia e agora eu sei. Era algo como um pressentimento ou confirmação.
Não sei dizer quantas vezes já senti isso antes de acontecimentos ou descobertas. Só não sei porque não consigo entender esses sintomas com mais clareza. Não sei porque não consegui escutar meus medos e receios quando eles me diziam há um ano atrás: “peça uma prova antes de voltar pra ele… não acredite apenas nas palavras… ”Eu sei que sempre digo que não devemos deixar os medos nos dominarem. Mas também temos que escutá-los! Temos sim.
Não sei porque eu não falei para o meu pai que sentia algo estranho naquela noite de quinta-feira enquanto olhava pra ele, sentado no sofá da sala quieto como se estivesse pensando em toda a sua vida até ali… Foi a última vez que o vi sentado naquele sofá. Por que eu não falei?
Por que, afinal, eu não consigo perceber estes sinais e evitar os sofrimentos? Talvez porque eles estejam no meu destino?
Não sei as respostas. E nem mais as perguntas.