sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Fatos ;

Sempre foi assim. Tenho dificuldades para enfrentar determinadas mudanças mas há coisas que estou sempre alterando. Não consigo não trocar de foto no MSN ou no orkut. Sempre estou diferente. A cada dia me sentindo de formas diferentes. Como eu poderia não mudar as fotos que devem me “representar”? O mais correto seria um autoretrato toda vez que me sentisse de forma diferente.

Do mesmo modo, se o orkut fizesse tanta diferença na minha vida, deveria escrever um perfil diferente a cada dia. As mesmas palavras não me descrevem por longos períodos de tempo. Não mesmo. E também não me agrada ficar muito tempo com a mesma cor de cabelo, já que não posso variar no corte.

Entretanto, há coisas que não mudam. Escuto muito minhas velhas músicas. Quase sempre as mesmas. Agora mais no carro do que em casa. No meu quarto, valorizo o silêncio interrompido pelo som baixo da TV que fica ligada - manias - e do barulho das teclas do note. No carro, o volume vai a mais de 20 quando estou sozinha. Se há carona, respeito seus ouvidos e também dou volume à conversa. Meu quarto - os móveis - também não mudam de lugar. Primeiro porque o espaço é pequeno e não há muita alternativa. Depois, porque gosto dele assim. Lembro que quando eu era adolescente ficava furiosa com minha mãe quando ela trocava tudo de lugar sem me consultar.

No que diz respeito ao meu modo de ser e ao que me descreve - imagens ou palavras - eu estou sempre mudando. Mas no âmbito material não. Gosto da estabilidade, confesso. Gosto da segurança. E gosto e preciso disso em relação aos outros. Porque o fato de eu não conseguir ficar com uma foto por muito tempo em um avatar do orkut ou msn não significa que ao me relacionar com as pessoas eu seja inconstante. Muito pelo contrário.

Enfrentar mudanças e diferenças nunca é fácil. Mas gosto de pensar - ou ao menos tentar - que tudo na vida da gente é um exercício. Tentar relevar comportamentos que não entendemos e que não fazem parte do que consideramos o ideal, mesmo que não sejam ruins, é sempre um exercício. E é se exercitando que a gente fica forte né. Tenho tentado, portanto, conviver com estas diferenças me exercitando cada vez mais… É, não é fácil. Tem horas que o corpo todo dói depois do exercício :P Mas eu sobrevivo. Sempre sobrevivi.