segunda-feira, 28 de julho de 2008

A emoção já não era mais a mesma ...

...enfrentava aquela maratona de apresentar-se pela sétima vez e simplesmente não sentia mais a menor graça em toda aquela parafernália, mas não tinha para onde correr, precisava se apresentar aos mais novos colegas, alguns já conhecidos, outros nem tantos e ainda tinha os que realmente não conhecia.

A verdade era que estava ansioso. Quem ele esperava ainda não chegara, mesmo tendo a certeza de que estavam na mesma turma. Olhava insistentemente o relógio e ficava imaginando os diversos motivos para ela estar atrasada, ela fazia uma cara tão adorável quando chegava atrasada, pensando nos imprevistos mais esdrúxulos e inusitados, como ter sido raptada por alienígenas ou seqüestrada por uma ordem religiosa que odeia estudantes de letras, enfim… O fato era que seu coração estava inquieto.

Quando ela adentrou na sala, todo o seu universo fora pacificado. Pronto. Ela estava ali, sentada logo adiante e nada mais importava.

Após a aula, abraçaram-se, trocaram carícias fraternais e procuraram colocar os assuntos em dia e, a cada momento, ele procurava lembrar de inúmeras razões para tudo aquilo não dar certo; ás vezes manda a razão para a puta que pariu, outras o receio lhe dominava, o medo de perder até mesmo a amizade.

No almoço, percebera então – já perdera a conta de quantas vezes chegara a esta conclusão – o quanto eles compartilhavam de várias idéias, opiniões e gostos. Possibilidades a serem exploradas.

Para aproveitar o tempo livre, foram tomar sorvete em um lugar bem agradável, debaixo de uma arvore. A temperatura estava amena, agradável e uma brisa soprava levemente, refrescando os dois. Alguns diriam que as fadas dos elementos deram um empurrãozinho, os mais céticos diriam que tudo não passou de um momento.

E a conversa desenrolava de forma animada. Falaram sobre a vida, o universo e suas correlações com as infinitudes da existência. Em determinado momento, enquanto gesticulava durante uma fala, ela derramou um pouco de sorvete na calça dele. E então ele lembrou de como ela fica linda quando está envergonhada. Nervosa, ela correu para pegar guardanapos e entregou-lhe, a fim de que ele se limpasse.

Passado o desconforto, voltaram então a discutir amenidades. Planejaram sessões de filmes, críticas para ler e histórias para contar.

Despediram-se e o universo voltou à sua normalidade, sem a presença daquela alma encantadora ao seu lado.

Até quando irá durar essa normalidade?

Até amanhã, às 7horas da manhã.