Estava decido então. Ella iria se matar amanhã.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Aniversário .
Às vésperas do seu aniversário, Ella resolveu pensar sobre a vida, um daqueles momentos em que não se muito a pensar, mas sim beber. Beber sempre ajuda a deglutir todas as coisas estranhas e insólitas que surgem nesses momentos. Tudo começou por uma frase que surgiu do nada na sua mente, essas máximas que ouvimos tão despreocupadamente que somente após um longo tempo elas surgem efeito. Não imaginava que um dia concordaria com a fala da Marilyn em “Quanto mais quente melhor”. Vinte e cinco anos realmente é um fato a se pensar. Um quarto de século. E o que havia produzido? Algumas poucas elucubrações sem significado algum para o resto do mundo e umas outras coisas sem sentido. “Uma pessoa só tem potencial para se tornar um poeta depois dos vinte e cinco anos”, afirmou um crítico que nem mais fazia questão de ser guardado na sua memória. E o que seria do amanhã? Ouviria alguns de alguns o tradicional “feliz aniversário”, de outros ganharia um abraço, de uns três receberia uma ligação. Pensou na possibilidade de fazer algumas das coisas loucas que há tempos vem desejando, sumir durante o dia e não dar satisfação a ninguém, passar o da trancado num quarto de hotel com algum desconhecido com quem pudesse discutir Oscar Wilde e o sadismo do Marquês ou então colocar algumas peças de roupa na mochila e pegar o primeiro vôo para algum lugar inóspito da sua existência. Pena que ainda não inventaram os tele-transportes. Poderia passar o dia num quarto aquecido em Plutão. Um quarto de século, vinte e cinco anos e simplesmente não havia mais razão para existir. Tinha vivido trinta anos nos últimos cinco. Cumprira com sua missão no mundo: dar a ele coisa nenhuma. O que poderia cobrar do mundo então? Nunca manteve uma esperança de um dia encontrar algo realmente interessante e suas poucas tentativas foram todas esmagadas por conta do sadismo que a vida lhe pregava.