quinta-feira, 31 de julho de 2008

Era uma vez ...

assim como os contos de fadas começam, uma garota que procurava alguém que fizesse o coração dela bater mais forte. um dia, ela pensou ter encontrado esse alguém. ele era tudo. mas ela nunca disse isso a ele. os dias passavam, e os sonhos dela em relação a ele cresciam. ela imaginava os dois juntos, vivendo um romance que dava inveja a muitos. um dia ela criou coragem e falou com ele. e foi nesse dia que ela viu os seus sonhos serem jogados pelo ar. tudo que ela havia planejado, tudo que ela havia sonhado, havia se acabado naquele instante. e ela continuou sua vida. frequentemente gostando de quem não gostava dela.
e a cada nova geração de sonhos, vinha uma nova decepção. até que então ela descobre uma pessoa nova, uma pessoa que num era o que ela procurava. mas que a fazia tremer quando estava por perto. e que, quando não estava por perto, fazia com que ela ocupasse a sua mente com ele. ela pressentia que ele era diferente. mas isso já aconteceu antes. e ela não queria ser decepcionada mais uma vez. e foi nesse dia que ela decidiu parar de se iludir, que ele disse a ela que estava afim dela. e o era uma vez, deixou de ser uma vez e passou a ser para sempre.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Indescritível sensação de liberdade

Jogou-se abismo a frente, sentindo o atrito gostoso do vento sobre o seu rosto; abaixo, uma infinidade de pontos que não conseguia distinguir a real concepção dos fatos. Sentia-se livre como um pássaro, caindo a cada momento e desfrutando daquela sensação como se fosse o último. Uma experimentação de dores, sons, visões, explanações que só ele poderia tentar entender, mas preferia apenas se concentrar no ali e no agora, tendo o céu como testemunha e um pequeno lago que se aproximava a cada momento.

E agora?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Momento

Os dois encontraram-se por acaso, no meio de uma livraria, ambos tentando pegar a última edição de Onze Minutos, do Paulo Coelho. A principio, um clima de ódio crescente surgiu no ar, dissipando-se logo em seguida, quando então repararam na cômica cena da qual eram protagonistas. Ele, por cavalheirismo, ofereceu o livro para ela; ela, por sua vez, retribuiu com um leve sorriso e um leve corar nas bochechas.

- Não sabia que você gostava do Paulo Coelho - disse ele fazendo cara de quem estava procurando algum outro livro qualquer.

- O mesmo digo em relação a ti, o que seria de se esperar já que conversamos tão pouco na aula, respondeu ela folheando o livro.

Ele virou-se então para falar-lhe algo, mas, ao ver o brilho nos olhos dela, esqueceu-se subitamente de toda a realidade e apenas admirou a garota que estava a sua frente e que também compartilhava do mesmo gosto pelo livro em questão. Ela, no entanto, tentava disfarçar o quanto envergonhada estava por estar sendo olhada de modo tão intenso pelo garoto e, a cada momento, folheava ainda mais nervosamente o livro, mesmo que não tivesse algo interessante para ver e rezava consigo mesmo para que ele interrompesse o que estava fazendo ou que então falasse alguma coisa.

- Você gosta de café? Perguntou ele finalmente imperrompendo o silêncio entre os dois.

- Claro, respondeu ela com um enorme s o r r is o no rosto e uma esperança de ter uma conversa adorável que há tempos não tinha.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Analogia Psicodélica I

Vocês já pararam em um determinado momento para notar como o nascer do sol é lindo? Geralmente quem fez esse tipo de observação são os apaixonados – o que não é o meu caso *cof-cof* – simplesmente porque ficam bestas com a vida. Entretanto, minha observação vai um pouco mais além.

Explico:

Nos último mês, tenho tido uma terrível insônia. Isso simplesmente significa acordar às quatro e meia – cinco horas da manhã e não só não conseguir dormir novamente, mas sim pensar em coisas idiotas também.
Bem, aqueles que me conhecem a fundo, sabem como fico quando ainda estou meio cambaleando de sono: sou acometida pelos mais completos e insanos pensamentos acerca do universo. E, em um desses momentos, enquanto me entediava com meus pensamentos nas primeiras horas da manhã de um determinado dia, olhei para o céu e concluí: Deus tomou LSD quando criou o mundo.
Os religiosos mais fervorosos que desculpem a minha observação, mas foi a primeira coisa que me veio à mente para justificar a beleza, a mistura, o caleidoscópio de cores psicodélicas que tomam conta do céu quando o astro rei (isso me soa tão cafona) surge.

E depois dizem que drogas matam.*

(*) Sim, sim, sim… Drogas matam mesmo.

A emoção já não era mais a mesma ...

...enfrentava aquela maratona de apresentar-se pela sétima vez e simplesmente não sentia mais a menor graça em toda aquela parafernália, mas não tinha para onde correr, precisava se apresentar aos mais novos colegas, alguns já conhecidos, outros nem tantos e ainda tinha os que realmente não conhecia.

A verdade era que estava ansioso. Quem ele esperava ainda não chegara, mesmo tendo a certeza de que estavam na mesma turma. Olhava insistentemente o relógio e ficava imaginando os diversos motivos para ela estar atrasada, ela fazia uma cara tão adorável quando chegava atrasada, pensando nos imprevistos mais esdrúxulos e inusitados, como ter sido raptada por alienígenas ou seqüestrada por uma ordem religiosa que odeia estudantes de letras, enfim… O fato era que seu coração estava inquieto.

Quando ela adentrou na sala, todo o seu universo fora pacificado. Pronto. Ela estava ali, sentada logo adiante e nada mais importava.

Após a aula, abraçaram-se, trocaram carícias fraternais e procuraram colocar os assuntos em dia e, a cada momento, ele procurava lembrar de inúmeras razões para tudo aquilo não dar certo; ás vezes manda a razão para a puta que pariu, outras o receio lhe dominava, o medo de perder até mesmo a amizade.

No almoço, percebera então – já perdera a conta de quantas vezes chegara a esta conclusão – o quanto eles compartilhavam de várias idéias, opiniões e gostos. Possibilidades a serem exploradas.

Para aproveitar o tempo livre, foram tomar sorvete em um lugar bem agradável, debaixo de uma arvore. A temperatura estava amena, agradável e uma brisa soprava levemente, refrescando os dois. Alguns diriam que as fadas dos elementos deram um empurrãozinho, os mais céticos diriam que tudo não passou de um momento.

E a conversa desenrolava de forma animada. Falaram sobre a vida, o universo e suas correlações com as infinitudes da existência. Em determinado momento, enquanto gesticulava durante uma fala, ela derramou um pouco de sorvete na calça dele. E então ele lembrou de como ela fica linda quando está envergonhada. Nervosa, ela correu para pegar guardanapos e entregou-lhe, a fim de que ele se limpasse.

Passado o desconforto, voltaram então a discutir amenidades. Planejaram sessões de filmes, críticas para ler e histórias para contar.

Despediram-se e o universo voltou à sua normalidade, sem a presença daquela alma encantadora ao seu lado.

Até quando irá durar essa normalidade?

Até amanhã, às 7horas da manhã.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Aniversário .

Às vésperas do seu aniversário, Ella resolveu pensar sobre a vida, um daqueles momentos em que não se muito a pensar, mas sim beber. Beber sempre ajuda a deglutir todas as coisas estranhas e insólitas que surgem nesses momentos.

Tudo começou por uma frase que surgiu do nada na sua mente, essas máximas que ouvimos tão despreocupadamente que somente após um longo tempo elas surgem efeito. Não imaginava que um dia concordaria com a fala da Marilyn em “Quanto mais quente melhor”. Vinte e cinco anos realmente é um fato a se pensar. Um quarto de século. E o que havia produzido? Algumas poucas elucubrações sem significado algum para o resto do mundo e umas outras coisas sem sentido. “Uma pessoa só tem potencial para se tornar um poeta depois dos vinte e cinco anos”, afirmou um crítico que nem mais fazia questão de ser guardado na sua memória.

E o que seria do amanhã?

Ouviria alguns de alguns o tradicional “feliz aniversário”, de outros ganharia um abraço, de uns três receberia uma ligação.

Pensou na possibilidade de fazer algumas das coisas loucas que há tempos vem desejando, sumir durante o dia e não dar satisfação a ninguém, passar o da trancado num quarto de hotel com algum desconhecido com quem pudesse discutir Oscar Wilde e o sadismo do Marquês ou então colocar algumas peças de roupa na mochila e pegar o primeiro vôo para algum lugar inóspito da sua existência.

Pena que ainda não inventaram os tele-transportes. Poderia passar o dia num quarto aquecido em Plutão.

Um quarto de século, vinte e cinco anos e simplesmente não havia mais razão para existir. Tinha vivido trinta anos nos últimos cinco. Cumprira com sua missão no mundo: dar a ele coisa nenhuma.

O que poderia cobrar do mundo então? Nunca manteve uma esperança de um dia encontrar algo realmente interessante e suas poucas tentativas foram todas esmagadas por conta do sadismo que a vida lhe pregava.

Estava decido então. Ella iria se matar amanhã.