quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Maçã envenenada

Ela não conseguia atinar porquê. Tinha vergonha só de lembrar. Vinha de uma época em que tudo era proibido.
Tanta razão para lembrar dele, o hálito, a saliva, as intensidades vividas juntos, momentos máximos de uma vida, amando muito; tanta razão, tanto motivo, do mais tolo ao mais sério, paixão e morte naquela que foi a história da sua vida; - e do que sentia mais falta era da forma como ele passava os cinco dedos no corpo dela.
Estranho, mas era assim. Em matéria de carinhos, a mão dele possuía sabedoria infinita, capacidade de inovação em casa encontro, rito perfeito conforme o momento, agitações quase agressivas, fricções ásperas, puxões certos da razi dos cabelos, o que doía e irritava, mas logo aumentava a excitação, misturando ao amor uma dose exata de raiva que a preparação do ato precisa: suavidade de pluma, carícia de um veleiro em lago suíço.
A mão dele dominava os vários e diversos andamentos da relação, sabia contornar, circundar, ser garra, anzol, cobertor, percorrendo devagar cada sinuosidade do desenho dela, saboreando os trechos do seu corpo onde beleza era pouco visível ao olhos. Sabia apalpar, ziguezaguear os ossos relevantes, ser terno nas zonas ternas.
Estalavam estrelas sensuais em suas mãos frementes, libertadoras de todas as intensidades que a vida reprimira nela. Nada disso era deliberado.
O carinho brotava dele como um som natural, um respirar. Ela é que acostumara.
Na saudade do nunca mais, entre as recordações de um amor único, impossível, amargo, mas integral, o que ficava para sempre era a ponta daqueles cinco dedos, antecipadores de orgasmos fundos como a noite dos tempos que geraram as estrelas.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Juro

Ela jura. Gosta de jurar. Quero estar perto não estando. Aparecer enquanto estou escondido. Ela jura que não é bem assim. Que a compreensão é turva. Quero não entender. Cortar o verso da fala. Monossilabicamente dizer sim e não na mesma frase. O ser que imagino metade é isso. Ela diz que tudo tem mais de um ângulo. Que o filme é bom no final. Ela jura. Ela cantarola uma canção. Jura que sua avó cantava isso perto de sua cama. Duvido dela. Da existência dessa avó. Ninguém sabe cantar. Eu não sei. Ela jura que meus erros são iguais. Eu, que não sei rir. Rio. Detesto repetir. Eu quero cometer erros novos. A vela da noite anterior queimou inteira. Ela jura que conserta tudo. Fecho a porta. Ficou tudo branco e preto

Tédio produtivo

Continuo entediada, mas pelo menos há coisas pra fazer! Nada importante, mas há. Minhas "aulas" começaram ontem - ou melhor, tour. Até agora não sentei pra estudar, não tive aula nenhuma, e isso não me agrada. Vou me arrepender de dizer isso mas... Eu quero aula! Eu quero ter o que fazer. E pelo jeito que vai, essa semana vai ser toda de recepção aos calouros. É, caloura de comunicação :) Eu tô feliz de ter começado, e até animada. Ontem não. Ontem foi meio assustador. Ninguém conhecido, caras estranhas. E uma longa e desgastante palestra sobre a faculdade. --'
Mas enfim, hoje foi mais tranquilo, novas amizades, conheci muuuita gente. Passeio pelos laboratórios, eu APAIXONEI pelos laboratórios de produção gráfica e de fotografia! *-* Os motivos pelos quais me tornei comunicóloga! Mas minha ressaca me impediu de aproveitar tudo que podia... acordei mal, muito mal, e não me arrependo. :x Noite phoda ontem, despedida a altura das férias! Todas agora estudando, e começou tudo de novo. Desespero, cansaço, e vontade de virar hippie. Espero que valha a pena o esforço! Até agora está divertido, acho que esse é o termo.
Hoje almocei com a Tha, muito tempo que não fazíamos algo do gênero... fui ver um curso que queria fazer de WebDesign, mas acredito que não vai dar certo. Alguém sabe onde tem um curso de WD no centro de BH? :/ Tô perdida! Depois, fui comprar coisinhas pro meu irmão, e ahn, aqui estou! :P 

Então, é isso!
That's all, folks! :*

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O cheiro, o cheiro...


Uma noite uma mulher me chamou como se chama um homem. Percebi? Senti. Sem que ela falasse, seus olhos queimaram meus braços, pernas. Quis me entender. Ser homem. Tomar atitude. Não entendi nada. Bateu medo. Pensei: ela tem os olhos de sangue. Ela tem os olhos de quem comete um crime. Ela tem os olhos... ela tem os olhos mais bonitos que eu já vi na minha vida. O copo tremia na minha mão. Olhava. E quando ela olhava, firme, certeiro, eu desviava os olhos. Como uma presa indefesa. Devagar. Devagar ela veio. Lenta como um bicho que vai pegar um bicho menor. – eu sei teu nome. Sei onde você mora. Sei o nome da bebida que você tá bebendo. Só não sei quando é que você vai jogar esse cigarro fora. Medo. Ela me assustou de verdade. Joguei o cigarro fora. Sem charme. Rápido demais talvez. Ela se encostou em mim. Não, não é verdade. Ela quase entrou em mim com roupa e tudo. Não escutei mais nada. Tinha alguém tocando no palco? Tinha alguém perto? Ela se encostava mais. Imaginei que nunca mais ia descolar dela. Não queria. Não podia. Se ela saísse naquele momento acho que morreria. Tinha um cheiro doce. Não sei o nome do perfume. Mas ainda hoje, trinta e tantos anos depois, se sinto alguém passando com esse cheiro na rua, paro. É ela. O fantasma dela. Cheguei em casa naquela noite com um gosto que superava a falta de gosto de todo o resto. Namoramos durante um ano. E todos os dias, era como a primeira vez. Um entrando no outro. Depois do medo da primeira vez, o tesão absoluto. O vício. O riso sem motivo aparente. Os olhos cor de jabuticaba tatuados nas minhas retinas. Saias coloridas. Jeans desbotados. Sandálias de couro amarradas nas pernas. O cheiro... o cheiro... um dia ela veio se despedir. Me devorou como quem sabe que vai passar fome depois. Me mordeu. Me arranhou. Chorou. No outro dia eu olhei o céu de manhã e rezei: - por favor, eu nunca te peço nada. Não anoiteça! Não anoiteça, pelo amor de deus. Quando a noite chegou eu tomei um porre, e chorei. Como os guerreiros vencidos. Como os países que são invadidos. Como os bichos. Ela me ensinou a ser bicho. E depois, me soltou na cidade. Um menino com a dor de um homem. O cheiro... o cheiro...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Letal

A tristeza vem como uma menininha magra. Com a mão estendida. E então, quando a gente percebe, deu um prato de comida, uma roupa usada, um canto no canto da casa. No outro dia ela aparece com uma boneca. Pergunto: como é o nome dessa boneca? – mágoa. O nome da minha boneca é mágoa. E a gente se flagra sem poder mandar embora aquilo: tristeza e mágoa. Em um domingo de sol chega uma garota mais velha, e diz: - é o senhor que deu guarda a tristeza e a mágoa? – sim! Me vejo tolamente respondendo. E ela diz: - vou levá-las comigo ou ficar aqui. – você tem nome? – sim senhor. Meu nome é inveja, e o cara na moto, meu namorado, é o fracasso. Como é que vai ser? Nós todos juntos? Peço licença por um minuto. Penso: - eu agüento? Tristeza, mágoa, inveja, fracasso... estou no décimo lexotan. Continuo lúcida. Onde eu guardei o trinta e oito?

Borboletas

O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Mudança

É, muita coisa vai mudar. Algumas não tanto, algumas demais. Ainda não acredito no que está acontecendo, e no quanto isso vai me afetar. Acredito que a "ficha não caiu" ainda. Longe. Perto. Longe de amigos de infância, de buteco ou de sexta a noite no lugar de sempre. Longe da família. Longe da cidade que nasci, longe da escola onde estudei. Perto do namorado, perto da faculdade, perto de amigas, perto da comida favorita, perto da evolução.

Hoje, fui resolver algumas pendências no colégio, ver amigos.

Recebi cartinha! Confesso que a hora que eu li me deu aquele aperto sabe? Nada chique, mas algo que me fez pensar em N coisas, sentir o que eu nunca tinha sentido antes :/ Nada meloso, mas que passou tudo de forma incrível! Percebi o quanto vai fazer falta aqueles 20 min por dia religiosamente marcados e cumpridos... Vou sentir falta de muita gente, mas ele... eu tenho muito o que agradecer, pela paciência, pelas horas da madrugada, pelas piadinhas que eu ria por dias, por tanta coisa. E aquela carta, como te disse antes, foi o melhor presente de despedida que eu poderia receber - não que isso seja realmente uma despedida! Talvez não saiba o quanto te considero na minha vida, mas acredite, é muito. OBRIGADA de verdade, Lucas Poeiras.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Hope it gives you hell!

Não, o título nem tem nada a ver, e hoje nem venho filosofar :) Felizes? Explico o título - é uma música. É, um novo CD que baixei já faz um mês e ainda não tinha ouvido! A banda se chama The All-American Rejects, e recomendo pra quem curte algo mais alternativo. Admito que antes a banda era melhor, menos pop, mas isso já faz mais de um ano. De fato, não falo muito sobre o que ouço aqui ou pra qualquer pessoa, e não sei porque. Tanta gente vem me falar de tal banda... e geralmente eu falo que não conhecia, mas já tem tempos que a ouço, só pra fazer a pessoa se sentir bem por pensar que a conheceu primeiro. Talvez seja altruísmo, mas lá vai a filosofia saindo! *Abstrai*
Bom era isso,
só pra dar um alô mesmo!

:*