quinta-feira, 19 de março de 2009
I have issues, and so do you.
We all do. então é isso. não tem angústia. assumamos nossas imperfeições e o fato de que as coisas são o que são. se gritar e espernear adiantasse de alguma coisa, ninguém tomava cartão vermelho.
sábado, 14 de março de 2009
Era tarde...
Mal sabia ela o que estava para acontecer. Chegou em seu apartamento claustofóbico depois de mais um dia extressante de trabalho. Largou sua bolsa em qualquer canto, qualquer lugar como se jogava o vento fora e se dirigiu ao espelho; se olhou por quase nove minutos antes de perceber seu cansaço. Por tanto tempo não se sentia bem, não se sentia desejada, almejada, não se sentia uma mulher. Sentia falta disso. Acendeu algumas velas coloridas que exalavam aromas paradisíacos e entorpecentes; encheu sua banheira há muito não usada de sais e espuma; abriu o vinho que já adormecia no armário de tanta espera por um dia especial. Despiu-se como estivesse sendo observada, apagou as luzes, pegou sua taça e se adentrou em seu banho. Tamanho deleite a fez pensar porque não fazia esse mesmo ritual todas as noites. Pensamentos altos, distantes, ilusões. Ela tinha sonhos, planos; de viajar, de conhecer pessoas, de curtir mas a vida lhe entregou um emprego em uma pequena lanchonete no centro da cidade. O barulho irritante e ensurdecedor do telefone a interrompe. Hesita em atender, mas se enrola na toalha e vai com pressa. Ouve uma voz triste, chorosa. Palavras picadas e soluçadas. Más notícias. Morte. Em um segundo, um frenesi de pensamentos e reações. O telefone se esvaiu de sua mão, se assustou com o ruído, ainda muda. Lentamente, se sentou no chão encostou-se na parede verde-depressivo, abraçou as pernas, uma única lágrima escapou de seu olho. Se sentiu sozinha, desolada. Essa noite foi diferente, mas não da forma pretendida. Nesta noite, ela chorou, como há muito não chorava.
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