domingo, 30 de novembro de 2008

Escrever .

Olhei para a tela branca e suspirei. Em minha frente, na altura do umbigo, um teclado. Estico minhas mãos, estalo os dedos. Alongo os braços e o pescoço. Clico na letra A. O A para começar alguma frase. O A para escrever sobre alguma filosofia barata. O A para algum desabafo piegas. O A para alguma declaração de amor.Escrever sempre envolve um ritual quase imperceptível. Desde a fisgada que me dá no pensamento, sinal de que alguma idéia está surgindo, até o derradeiro ponto final de um texto. Ou de um e-mail enorme, daqueles que são quase crônicas…

Às vezes escrever é fácil como conversar bobagens com um amigo; outras, tão cansativo quanto uma atividade física das mais puxadas. Escrever é um prazer. Desses que vicia. Daqueles que a gente não consegue mais viver sem. Escrever sobre tudo, sobre todos. Sobre o que é e sobre o que não é. Sobre o que talvez nunca seja e sobre tudo o que já foi. Escrever é algo assim como tatuar pensamentos… Mesmo que seja escondido, pra ninguém ver.

Sem planejamento, sem hora marcada, sem aviso. Apenas escrever. Mesmo que ninguém leia. É uma necessidade. Quase física. É como sentir, amar… todo mundo precisa. Mesmo que não admita. Mesmo que não conte a ninguém.

Escrever é se entregar. Às vezes demais.

Escrever é se libertar. E é se proteger. Porque ninguém, além de mim, poderá saber o que realmente minhas palavras querem dizer.

Ninguém perguntou o que é escrever, para mim. Mas, eu precisava achar uma justificativa para quebrar a minha palavra. Para sair do tempo de balanço a que me propus entrar. A vontade. Ela, sempre ela, maior do que qualquer coerência, me leva a mudar de atitude; às vezes de opinião, outras de sentimentos.

Queria terminar esse post com a sensação de que disse tudo, mas não vai dar. Então ele está terminado.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A vida é uma merda.

Sim, a vida é mesmo uma merda. Não importa se você é rico, pobre, alto, magro, gordo, feio, bonito, famoso, forte, fraco, tímido, divorciado, casado, com filhos, com netos, bêbado, sóbrio ou ainda burro e ignorante. A vida é uma merda. Como eu sei disso? É bem óbvio. Basta observar as pessoas por aí. Existem dois tipos de pessoas. As que sabem que a vida é uma merda, como eu e aquelas que por algum motivo cretino tirado de não sei aonde, acham que a vida deve ser boa, ou melhor, que é boa. Eu explico.

Na vida de todo mundo, sempre vão acontecer mais coisas ruins do que coisas boas, seja por azar, seja por inapetência, seja por vingança ou até por uma questão de expectativas.

Basta olhar os animais nos documentários da TV, vocês já viram o inferno que eles passam para comer e fazer sexo? As vezes eles passam uma semana inteira no “rock and roll” para comer uma droga de um rato (no caso das corujas, coitadas). E os gafanhotos que finalmente quando conseguem copular a primeira vez viram comida de suas concubinas.

Nós não somos muito diferentes. Nós fazemos de tudo para comer, beber e fazer sexo. São as três coisas boas da vida e não chegam a tomar nem dez por cento do nosso tempo. É um fato matemático. Não tem discussão.

Algumas pessoas vão dizer que eu estou louca, e que trabalhar é ótimo, dormir é ótimo, conversar é ótimo e até cuidar dos filhos é ótimo. Mentira, mentira, mentira. Ou então essa pessoa já não come, não bebe e não faz sexo direito há muito tempo.

As pessoas que acham que a vida é boa, estão sempre deprimidas, chorando, lamentando que tudo vai mal para elas e bem para os outros. Elas não percebem que estamos todos sujeitos as mesmas punições diárias, as mesmas frustrações. É uma questão de como encarar as coisas.

As pessoas que sabem que a vida é uma merda estão sempre, ou quase sempre felizes. Eles assumiram o status quo e pronto: minha vida é uma merda, toda vez que acontecer alguma coisa boa eu vou agradecer e aproveitar ao máximo, toda vez que acontecer uma coisa ruim, bem, é a vida. Não é conformismo não; você pode impedir coisas ruins de acontecerem, mas outras virão.

Futebol é uma caixinha de surpresas; o que vai acontecer conosco não. Vamos ser traídos, roubados, enganados, humilhados, ofendidos e largados. Não tem jeito. O bacana é não deixar que nada disso tenha efeito negativo sobre nós e pronto, celebrar as alegrias… novamente, comida, bebida e sexo.

A vida é realmente uma merda, eu adoro, e você?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

2004...

2004, novembro ainda me lembro. era fim de ano eu não tinha nada e você um novo emprego, foi quando tudo aconteceu. a vida era difícil mas juntos tudo estava bem. algumas brigas claro mas isso é tão normal quando se quer alguém, como eu quis você. eu quis matar todos seus amigos falsos e fingidos que sorriam ao me ver e encontrava companhia num copo de bebida, um cigarro ou outra droga qualquer, já que eu não tinha mais você. reaprender o caminho pra casa não foi algo tão simples. nos primeiros dias eu me perdia nos meus passos sem você, eu mal sabia o que fazer. de vez em quando a gente se encontrava nas escadas, eu tentava dizer algo, você sempre dava risada, tudo vai acabar bem. quase dez anos depois, eu consigo entender, que eu tinha que continuar fosse com ou sem você. nem sei como cheguei aqui, mas saiba que eu estou feliz! a sua falta quase me matou, hoje eu tenho tudo o que eu sempre quis.

2004, ainda me lembro de tudo o que eu quero esquecer!