Olhei para a tela branca e suspirei. Em minha frente, na altura do umbigo, um teclado. Estico minhas mãos, estalo os dedos. Alongo os braços e o pescoço. Clico na letra A. O A para começar alguma frase. O A para escrever sobre alguma filosofia barata. O A para algum desabafo piegas. O A para alguma declaração de amor.Escrever sempre envolve um ritual quase imperceptível. Desde a fisgada que me dá no pensamento, sinal de que alguma idéia está surgindo, até o derradeiro ponto final de um texto. Ou de um e-mail enorme, daqueles que são quase crônicas…
Às vezes escrever é fácil como conversar bobagens com um amigo; outras, tão cansativo quanto uma atividade física das mais puxadas. Escrever é um prazer. Desses que vicia. Daqueles que a gente não consegue mais viver sem. Escrever sobre tudo, sobre todos. Sobre o que é e sobre o que não é. Sobre o que talvez nunca seja e sobre tudo o que já foi. Escrever é algo assim como tatuar pensamentos… Mesmo que seja escondido, pra ninguém ver.
Sem planejamento, sem hora marcada, sem aviso. Apenas escrever. Mesmo que ninguém leia. É uma necessidade. Quase física. É como sentir, amar… todo mundo precisa. Mesmo que não admita. Mesmo que não conte a ninguém.
Escrever é se entregar. Às vezes demais.
Escrever é se libertar. E é se proteger. Porque ninguém, além de mim, poderá saber o que realmente minhas palavras querem dizer.
Ninguém perguntou o que é escrever, para mim. Mas, eu precisava achar uma justificativa para quebrar a minha palavra. Para sair do tempo de balanço a que me propus entrar. A vontade. Ela, sempre ela, maior do que qualquer coerência, me leva a mudar de atitude; às vezes de opinião, outras de sentimentos.
Queria terminar esse post com a sensação de que disse tudo, mas não vai dar. Então ele está terminado.